por Gabrielle Moutinho
Fotos: Acervo Fundação Gregório de Mattos e Agnes Mariano
Engana-se quem pensa que abrigo é lugar de velho. Os “jovens” que residem no Abrigo do Salvador, por exemplo, têm o espírito de criança. Lazer, diversão e cultura são atividades exercidas diariamente pelos idosos do Abrigo. São por esses e outros motivos, que é necessário desconstruir a imagem de solidão e fim de vida para aqueles que alcançam a velhice, afinal de contas, existem idosos que têm uma qualidade de vida melhor que muitos jovens. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o Abrigo pode ser o começo de uma nova etapa da vida, onde vale até a experiência de um novo amor.
Aparentemente muito bem tratados e acomodados, os residentes do Abrigo do Salvador fazem cinco refeições diárias, além de dispor de sala de leitura, aulas de dança de salão, hidroginástica e Tai Chi Chuan. “Todas essas atividades são executadas graças à colaboração de voluntários que se propõem a ajudar as crianças de maioridade”, afirma o Diretor de Relações Públicas Marcelo Paganucci de Queiroz.
Segundo Paganucci, o Abrigo não tem fins lucrativos, mas é presenteado com doações que ajudam nas organizações e conforto em prol dos idosos. A exemplo disso, o professor de educação física e recreador Paulo Henrique Cerqueira, 37, doa 50 minutos do seu tempo para oferecer aulas de hidroginástica duas vezes na semana. “As pessoas esquecem que um dia também irão ficar velhas”, disse Paulo Henrique.
Dos aproximadamente 350 residentes, 50 são abandonados pelos familiares, mas nem por isso desistem de viver. Francisca Mariana de Jesus, mais conhecida como Dona Chica, 92, é um exemplo disso. Uma das mais antigas residentes, e abandonada pelo filho único há 20 anos atrás, não recebe visita de ninguém, mas é acolhida pelos funcionários, que considera sua única família. “Aqui eu tenho mãe, irmãs, irmãos e até filhos”, declarou Dona Chica com olhos cheios de lágrimas. O conforto pode não ser o mesmo dos idosos que pagam pela residência, mas alimentação, carinho e atenção não faltam no local, garante a assessora de lazer e comunicação Eliane Mascarenhas.
A visita de alguns pássaros, as flores e a brisa do fim da tarde dão ainda mais tranqüilidade ao Abrigo. Com os cômodos bem próximos, “os idosos estão sempre fazendo visita aos seus vizinhos de quarto”, informou Marilene Pinheiro, servente do local há 5 anos.
Primeira impressão
Não deve ser muito fácil sair de casa e mudar para um ambiente novo. Mas, instalar-se no abrigo não é tão difícil quando se tem uma boa impressão na primeira visita. Recebidos com abraços e demonstrações de carinho, os novatos conseguem sentir-se mais à vontade. Como foi com Dalva Crispiniana de Araújo Nogueira, 69, que por iniciativa própria resolveu mudar de lar e está desde o início do ano no Abrigo. Segundo ela, já se sente em casa. “Prefiro ficar aqui, a dar trabalho aos outros. Aqui eu dou risada com todo mundo, eles tão sempre fazendo gracinhas pra gente rir”.
Boa impressão realmente é super importante. Foi a impressão um dos critérios que fizeram a empresária Ana Claudia de Andrade Passos, 49, abrigar seu pai, Guilhermino de Andrade Santos, no local. “Quando cheguei aqui, observei cada parte do abrigo, inclusive higiene. Percebi que aqui era um ambiente de familiaridade e por tudo isso gostei. Não tinha como deixar papai em casa, pois ele ficaria muito sozinho, então precisava de um ambiente bem familiar e limpo”. A empresária também disse visitar o pai com freqüência e afirmou que, nas vezes em que foi visitá-lo nunca presenciou nenhum tipo de maus tratos.
Tempo de amar
Cazuza se enganou. Quando se ama, o tempo pára sim. O tempo parou para Deuzita Nazarret Souza da Silva, 79, e Euzébio Santana Costa, 76. Ambos viúvos, se encontraram no Abrigo há pouco mais de três anos e até hoje vivem um clima de romance. Claro que não é nenhuma cena de novela e beijos explícitos, mas existe carinho suficiente para rejuvenescer o coração e parar o tempo. Segundo Dona Deuzita, como é conhecida, o romance é tão sério que rola até ciúmes. “Às vezes ele prefere ficar com os outros velhos do que comigo. Fico muito brava com ele, mas ele nem liga”, afirmou envergonhada. Já Euzébio discorda. Para ele, Deuzita gruda o tempo nele. “Ela se pudesse até dormiria comigo”, disse sorrindo.
Tudo no seu limite. As missionárias da igreja católica localizada na Cidade Baixa, que visitam os idosos, aprovam o relacionamento. Elas acreditam que eles não estão cometendo nenhum pecado. Muito pelo contrário, acham que demonstração de carinho é sempre uma benção. Euzébio é um dos que não tem mais contato com a família, mas a família de Deuzita não vê problemas no namoro. Para Antônio Nazarret Ferreira da Silva, filho mais novo de Deuzita, a felicidade da mãe está acima de qualquer coisa, principalmente da idade.
Com quase 71 anos de funcionamento, diretores e funcionários do abrigo dedicam–se espontaneamente a ajudar os idosos. Através de entrevista com a assistente social, Sara Medeiros, a saúde e o psicológico dos idosos são cuidadosamente avaliados. “Só é permitido residentes que estejam com boa saúde e seja visível a vontade de residir no nosso abrigo. Caso contrário, não é permitido”, enfatizou a assistente social.
(junho de 2005)
Abrigo do Salvador
Rua Campinas Brotas, 754 qt 11, Brotas – Salvador – BA
Tel: (71) 3389-5702 / 1202 / 1004 / 5704
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Desejo obter algumas informações de quais são as exigência para que seja hospedada uma senhora com 85 anos e com problemas de saúde. As informações deverão conter custos, atividades oferecidas, etc.
Grata,
Jucélia
Jucélia,
Olá. Sugerimos que você ligue para o Abrigo do Salvador para se informar ou visite a instituição. O endereço e telefone estão no final da reportagem. Abç
Eu gostaria de informações a respeito da hospedagem do abrigo mas não consigo falar em nenhum dos telefones divulgados acima. O primeiro e o último número chamam e não são atendidos e os outros dois não completam a ligação.
Poderiam me passar outro contato?
Grata.
Silvana,
Infelizmente não temos contato com o Abrigo. Tente algum telefone de auxílio a lista ou visite o local. Boa sorte
Redação